É o primeiro jesuíta e o primeiro sul-americano a ser eleito Papa, além de ser o primeiro pontífice não-europeu em mais de 1200 anos.[2] Arcebispo de Buenos Aires desde 28 de fevereiro de 1998 e cardeal-presbítero desde 21 de fevereiro de 2001, foi eleito em 13 de março de 2013.
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Índice
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Jorge Mario Bergoglio, filho do casal de imigrante italianos Mario Bergoglio (trabalhador ferroviário) e Regina Maria Sivori (dona de casa). Seu pai também jogava basquetebol no San Lorenzo, um dos cinco grandes do futebol argentino e cujas origens haviam sido impulsionadas por um padre. Jorge tornaria-se torcedor sanlorencista, já tendo afirmado que não perdeu nenhum jogo do título argentino de 1946, quando tinha então dez anos.[3]
Nascido e criado no bairro de Flores,[4] atual sede do San Lorenzo,[3] fez graduação e mestrado em química, na Universidade de Buenos Aires.[5] Na juventude, teve uma doença respiratória que numa operação de remoção lhe fez perder um pulmão devido ao tabaco.[6][7] Durante a sua adolescência, teve uma namorada, Amalia.[8][9][10] Segundo ela, Bergoglio chegou a pedi-la em casamento durante a época, tendo ele inclusive afirmado que, do contrário, se tornaria padre.[11][12][13]
Companhia de Jesus (jesuítas)
Ingressou no noviciado da Companhia de Jesus em março de 1958. Fez o juniorado em Santiago, Chile. Graduou-se em Filosofia em 1960, na Universidade Católica de Buenos Aires. Entre os anos 1964 e 1966, ensinou Literatura e Psicologia, no Colégio Imaculada, na Província de Santa Fé, e no Colégio do Salvador, em Buenos Aires. Graduou-se em Teologia em 1969. Recebeu a ordenação presbiteral no dia 13 de dezembro de 1969, pelas mãos de Dom Ramón José Castellano. Emitiu seus últimos votos na Companhia de Jesus em 1973. Em 1973 foi nomeado Mestre de Noviços, no Seminário da Villa Barilari, em San Miguel. No mesmo ano foi eleito superior provincial dos jesuítas, na Argentina. Em 1980, após o período do provincialato, retornou a San Miguel, para ensinar em uma escola dos jesuítas. [5]
No período de 1980 a 1986 foi reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel [14]. Após seu doutorado na Alemanha, foi confessor e diretor espiritual em Córdoba. Além do espanhol, fala fluentemente italiano, alemão, francês e inglês, tendo razoáveis conhecimentos de português[15][16][17].
Episcopado
Foi nomeado ordinário para os fiéis de rito oriental, sem ordinário próprio, na Argentina, pelo Papa João Paulo II, em 30 de novembro de 1998 [21].
Cardinalato
Foi criado cardeal no Consistório Ordinário Público de 2001[22], ocorrido em 21 de fevereiro de 2001, presidido pelo Papa João Paulo II, recebendo o título de cardeal-presbítero de São Roberto Belarmino[14]. Quando foi nomeado, convenceu centenas de argentinos a não viajarem para Roma. Em vez de irem ao Vaticano celebrar a nomeação, pediu que dessem o dinheiro da viagem aos pobres[23].
Foi membro dos seguintes dicastérios na Cúria Romana:
- Congregação para o Clero[24][25]
- Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos[26][25]
- Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica [25]
- Pontifícia Comissão para a América Latina[27][28]
- Pontifício Conselho para a Família [29]
Eleição
O anúncio (Habemus Papam)
Papa Francisco, recém-eleito, na sua primeira aparição pública, na varanda central da Basílica de São Pedro.
| Annuntio vobis gaudium magnum: |
| Anuncio-vos com grande alegria |
| habemus Papam! |
| temos um Papa! |
| Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum, |
| O Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor |
| Dominum Georgium Marium |
| D. Jorge Mario |
| Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem Bergoglio |
| Cardeal da Santa Igreja Romana, Bergoglio |
| qui sibi nomen imposuit Franciscum. |
| que adotou o nome de Francisco. |
Primeira aparição como Papa
O Papa Francisco apareceu ao povo na sacada (ou varanda) central da Basílica de São Pedro por volta das 20 horas e 30 minutos (hora de Roma). Vestindo apenas a batina papal branca, acompanhou a execução da Marcha Pontifical e saudou a multidão com um discurso:
| Irmãos e irmãs, boa noite!
Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde. |
| E agora iniciamos este caminho, Bispo e
povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas
as Igrejas na caridade. Um caminho de fraternidade, de amor, de
confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o
mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este caminho
de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal
Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade
tão bela!
E agora quero dar a Bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim. |
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Nome papal
Ao ser eleito, o novo pontífice escolheu o nome de Francisco. Segundo o cardeal americano Timothy Dolan, uma homenagem a São Francisco de Assis fazendo referência a "sua simplicidade e dedicação aos pobres". Francisco de Assis (1182 — 1226), padroeiro da Itália, foi o fundador da família franciscana. [34]
Provavelmente a escolha também faz referência a Francisco Xavier. São Francisco Xavier (1506 — 1552), santo jesuíta, padroeiro das missões, evangelizador do Japão, um dos primeiros companheiros de Santo Inácio de Loyola e um dos cofundadores da Companhia de Jesus (Companhia da qual o Santo Padre faz parte).[35]
O nome do pontífice não será grafado com "I" (Primeiro) em algarismos romanos. Segundo a Santa Sé, isso só acontecerá se, um dia, houver um papa Francisco II.[36]
Opiniões éticas e sociopolíticas
É ligado a setores católicos conservadores na Argentina[37], como o movimento de leigos Comunhão e Libertação[38], contrário ao aborto, à eutanásia e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Evita aparições na mídia e possui hábitos simples. Utiliza o transporte coletivo e não frequenta restaurantes.[4] Aprecia música clássica, literatura e é associado[39] e torcedor do clube de futebol San Lorenzo de Almagro.[40][41]
Tradicionalismo
Embora não esteja ligado a nenhum movimento tradicionalista dentro da Igreja Católica, nem tenha tendências nessa direção, quando Arcebispo de Buenos Aires, Dom Bergoglio foi um dos primeiros a aplicar as disposições do Motu Proprio Summorum Pontificum[42], no qual o Papa Bento XVI concede a todo e qualquer padre a faculdade de celebrar a missa no rito tridentino. Dois dias depois da promulgação do Motu Proprio, Dom Bergoglio concedeu uma capela para a celebração da missa tridentina. [43] Fontes tradicionalistas, porém, alegam que o capelão nomeado por Bergoglio para celebrar a Missa tridentina, uma vez por mês, introduzia, com o conhecimento do arcebispo, mudanças na celebração da missa tridentina, que o aproximavam da forma ordinária do Rito Romano, concluindo assim que a aplicação da Summorum Pontificum na arquidiocese de Buenos Aires, de facto, não existiu.[44]
As mesmas fontes, ligadas ao tradicionalismo na Argentina, afirmam ainda que, enquanto arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio teve uma ação inibidora da Missa tridentina, alegadamente proibindo padres de a celebrar. Criticam ainda as suas ações ecuménicas e acusam-no de perseguir os padres que apresentassem um pendor mais tradicionalista, por exemplo, na forma de vestir.[45]
Bioética
O cardeal Bergoglio convidou os seus clérigos e os leigos para que se opusessem ao aborto e à eutanásia.[46]
Relações homoafetivas
É um forte opositor à legislação argentina que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tendo dito que: "se o projeto de lei que prevê às pessoas do mesmo sexo a possibilidade de se unirem civilmente e adotarem também crianças vier a ser aprovado, poderia ter efeitos seriamente danosos sobre a família. O povo argentino deverá afrontar nas próximas semanas uma situação que, caso tenha êxito, pode ferir seriamente a família. Está em jogo a identidade e a sobrevivência da família: pai, mãe e filhos. Não devemos ser ingénuos: essa não é simplesmente uma luta política, mas é um atentado destrutivo contra o plano de Deus"[47].
Justiça social
É conhecido por sua postura a favor da justiça social, tendo dito em 2007 que: "Vivemos na região mais desigual do mundo, a que mais cresceu e a que menos reduziu a miséria. A distribuição injusta de bens persiste, criando uma situação de pecado social que grita aos céus e limita as possibilidades de vida mais plena para muitos de nossos irmãos". Além disso, tal como São Francisco de Assis lavava os pés dos leprosos, o Cardeal Bergoglio ganhou notoriedade em 2001 ao lavar os pés de 12 doentes de Aids em visita a um hospital [48].
Relações com o governo argentino
Além do trabalho de pesquisa de Mignone, também o livro El Silencio de Horacio Verbitsky, membro do grupo terrorista Montoneros, grupo terrorista que se notabilizou por assassinatos, sequestros e atentados, entre os quais o Massacre de Ezeiza e o atentato à bomba contra a Polícia Federal Argentina, faz referência a supostas ligações com a ditadura. No capítulo "As Duas Faces do Cardeal" explora o eventual papel de agente duplo desempenhado por Bergoglio junto à ditadura argentina. Segundo o autor do livro, que alega ter acesso a documentos do Ministério das Relações Exteriores e do Culto da Argentina, Bergoglio "vai à Chancelaria, pede um trâmite em favor do sacerdote (Jalics), mas, por baixo do pano, diz para não o concederem porque se trata de um subversivo".[50].
Por outro lado, Sergio Rubin, o seu biógrafo autorizado, relatou que Bergoglio, após a prisão dos dois sacerdotes, trabalhou nos bastidores para a sua libertação e intercedeu, de forma privada e pessoal, junto do ditador Jorge Rafael Videla: a sua intercessão poderia ter contribuído para a posterior libertação destes sacerdotes. Ele também relatou que, em segredo, Bergoglio deu frequentemente abrigo a pessoas perseguidas pela ditadura em propriedades da Igreja, e houve uma vez que chegou mesmo a dar os seus próprios documentos de identidade a um homem que se parecia com ele, para que pudesse fugir da Argentina.[51]
Também o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, refutou todas as acusações referentes ao Papa Francisco. Esquivel, perseguido pela ditadura, afirmou que alguns bispos foram cúmplices do regime, mas não foi o caso de Bergoglio.[52] A argentina Graciela Fernández Meijide, membro da organização não governamental "Assembleia Permanente para os Direitos Humanos" (APDH) e ex-membro da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), também declarou que não há provas que ligam Bergoglio com a ditadura. Numa entrevista ao Clarín (15 de Março de 2013), ela afirmou que "não há informação e a Justiça não conseguiu provar [esta ligação]. Eu estava na APDH durante todos os anos da ditadura e recebi centenas de depoimentos. Bergoglio nunca foi mencionado. Aconteceu o mesmo na CONADEP. Ninguém falou dele nem como instigador nem como nada."[53]
Ordenações episcopais
Ordenações episcopais antes do pontificado
Dom Mario Bergoglio presidiu a ordenação episcopal dos seguintes prelados:[19]
- Horacio Ernesto Benites Astoul (1999)
- Jorge Rubén Lugones, SJ (1999)
- Jorge Eduardo Lozano (2000)
- Joaquín Mariano Sucunza (2000)
- José Antonio Gentico (2001)
- Fernando Carlos Maletti (2001)
- Andrés Stanovnik, OFM Cap (2001)
- Mario Aurelio Poli (2002)
- Eduardo Horacio García (2003)
- Adolfo Armando Uriona, FDP (2004)
- Eduardo Maria Taussig (2004)
- Raúl Martín (2006)
- Hugo Manuel Salaberry Goyeneche, SJ (2006)
- Óscar Vicente Ojea Quintana (2006)
- Hugo Nicolás Barbaro (2008)
- Enrique Eguía Seguí (2008)
- Ariel Edgardo Torrado Mosconi (2008)
- Luis Alberto Fernández (2009)
- Vicente Bokalic Iglic, CM (2010)
- Alfredo Horacio Zecca (2011)
- Oscar Domingo Sarlinga (2003)
- Luis Mariano Montemayor (2008)
Obras
O registro de autoria de obras de pontífices são padronizadas conforme regras do Código de Catalogação Anglo-Americano. Têm-se três entradas distintas, conforme a responsabilidade autoral[54]:
- Francisco, papa, 1936-
- Bergoglio, Jorge Mario, 1936-
- Igreja Católica. Papa (2013- : Francisco)